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Mercado reduz projeção da inflação para 2026, mas mantém expectativa acima do teto da meta

Boletim Focus aponta leve melhora nas perspectivas para o IPCA, enquanto juros seguem elevados, crescimento da economia permanece moderado e cenário fiscal continua desafiador para o próximo semestre.

Por: Maria Eduarda Lima Fonte: Redação BGN
09/07/2026 às 11h09
Mercado reduz projeção da inflação para 2026, mas mantém expectativa acima do teto da meta
Foto: Canva

O mercado financeiro voltou a reduzir a expectativa para a inflação de 2026, mas ainda prevê que o índice permanecerá acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). É o que mostra a edição desta semana do Boletim Focus, divulgada pelo Banco Central com dados coletados até 3 de julho. A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,33% para 5,30%, registrando a primeira queda após semanas consecutivas de alta. 

Apesar do recuo, a expectativa do mercado para a inflação continua acima do intervalo de tolerância definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A projeção de 5,30% para o IPCA em 2026 supera o limite superior da meta contínua de inflação, fixada em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos (entre 1,5% e 4,5%).

No curto prazo, o mercado espera inflação de 0,30% em julho, estabilidade em relação à semana anterior, e uma variação de -0,03% em agosto, refletindo a expectativa de deflação pontual, movimento associado principalmente ao comportamento dos preços administrados e dos alimentos. A inflação acumulada em 12 meses suavizada também apresentou leve melhora, passando de 4,14% para 4,10%. 

Juros elevados devem permanecer

Mesmo com a melhora nas expectativas para a inflação, os analistas não esperam mudanças na política monetária no segundo semestre. A projeção para a taxa Selic permanece em 14% ao ano no encerramento de 2026, indicando que o Banco Central deverá manter uma postura cautelosa até que haja maior convergência da inflação à meta. Para 2027, a expectativa continua em 12%, seguida de 10,5% em 2028 e 10% em 2029. 

Economia deve crescer abaixo de 2%

As perspectivas para a atividade econômica permaneceram praticamente inalteradas. O mercado manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,99% para 2026, com pequena alta na estimativa para 2027, de 1,68% para 1,69%. Para 2028 e 2029, a expectativa segue em 2%. 

O cenário indica uma economia ainda em expansão, porém em ritmo moderado, influenciada pelo elevado custo do crédito e pela desaceleração do consumo.

Dólar segue estável

As projeções para o câmbio também permaneceram sem alterações relevantes. A expectativa é de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,20, mantendo o mesmo patamar da semana anterior. Para 2027, a previsão continua em R$ 5,28, enquanto para 2028 e 2029 o mercado estima R$ 5,35 e R$ 5,40, respectivamente. 

 Mercado melhora previsão para IGP-M

Outro indicador que apresentou melhora foi o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), frequentemente utilizado para reajustes de contratos de aluguel. A expectativa para 2026 caiu de 6,15% para 5,68%, enquanto as projeções para os anos seguintes permaneceram próximas de 4%. 

Já a previsão para os preços administrados — como energia elétrica, combustíveis e tarifas públicas — permaneceu estável em 5% para 2026, sinalizando que esses itens ainda devem exercer pressão sobre a inflação ao longo do segundo semestre. 

Setor externo mantém estabilidade

No cenário externo, as expectativas seguem relativamente estáveis. A projeção para o déficit em conta corrente foi revisada de US$ 60,25 bilhões para US$ 60 bilhões em 2026, enquanto a estimativa para a balança comercial permaneceu em US$ 76,2 bilhões de superávit. O investimento direto no país apresentou melhora, passando de US$ 75 bilhões para US$ 76 bilhões, indicando manutenção da confiança dos investidores estrangeiros. 

Desafio fiscal continua

Na área fiscal, o relatório mostra que o mercado segue atento ao aumento do endividamento público. A projeção para a dívida líquida do setor público subiu de *69,82% para 69,84% do PIB* em 2026. Já a expectativa para o resultado primário permaneceu em déficit de 0,5% do PIB, enquanto o resultado nominal foi mantido em -8,7% do PIB. 

O conjunto das projeções indica que, embora a inflação tenha dado sinais de desaceleração nas expectativas do mercado, o cenário para o segundo semestre ainda exige cautela. A combinação entre inflação acima da meta, juros elevados, crescimento econômico moderado e desafios fiscais continua sendo o principal foco de atenção para investidores, governo e Banco Central.

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