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Goldman Sachs vê dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,80 em cenário fiscal favorável após eleições

Banco avalia que o real pode ampliar valorização após o primeiro turno, mas condiciona movimento às propostas econômicas e ao ambiente externo

Por: Maria Eduarda Lima Fonte: Redação BGN
05/10/2026 às 15h35
Goldman Sachs vê dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,80 em cenário fiscal favorável após eleições
Foto: Ilustração Canva

O Goldman Sachs avalia que o real pode se fortalecer após os resultados do primeiro turno das eleições de 2026, levando o dólar a uma faixa entre R$ 4,50 e R$ 4,80. O cenário depende de um desfecho eleitoral que os investidores interpretem como favorável a uma política de maior controle das contas públicas, segundo análise do banco divulgada pelo InfoMoney nesta segunda-feira, 5 de outubro.

A estimativa não representa uma cotação garantida nem estabelece uma data para o dólar alcançar R$ 4,50. Trata-se de uma possibilidade condicionada à orientação econômica do próximo governo. A faixa já havia sido apresentada antes da votação, em análise publicada pela Bloomberg Línea em 1º de outubro.

Na avaliação do Goldman, o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL), acima das pesquisas mais recentes, foi um dos fatores positivos para os mercados. O senador terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O banco também destacou os resultados de candidatos de direita e centro-direita nas disputas estaduais e para o Senado.

Controle das contas públicas será decisivo

Segundo a análise do Goldman reproduzida pelo Money Times, um dólar próximo de R$ 4,80 seria compatível com a eliminação do prêmio de risco fiscal que permaneceu incorporado ao real após a desvalorização de 2024. Em termos simples, isso significaria uma redução da desconfiança dos investidores em relação às contas públicas brasileiras.

O banco considera possível uma valorização ainda maior da moeda brasileira caso as medidas de ajuste fiscal sejam suficientemente convincentes e o cenário internacional também favoreça o real. A continuidade do movimento, portanto, dependerá das políticas anunciadas e da capacidade de colocá-las em prática.

O cenário contrário também foi contemplado. Na avaliação divulgada antes do primeiro turno, o Goldman estimou que uma recuperação do risco fiscal aos níveis de setembro ou dezembro de 2024 poderia levar o dólar a aproximadamente R$ 5,40 ou R$ 5,80, respectivamente. Esses valores são cenários condicionais, e não previsões simultâneas para a moeda.

Mercado acompanhará propostas para o segundo turno

Com a eleição ainda em aberto, os investidores deverão acompanhar as sinalizações sobre gastos, dívida pública e composição das equipes econômicas. Para o Goldman, as propostas apresentadas pelos candidatos ganharão importância crescente na formação dos preços dos ativos durante o segundo turno.

A análise também chama atenção para experiências anteriores. Em 2014 e 2022, parte relevante da reação inicial do câmbio após o primeiro turno foi revertida antes da votação decisiva. O histórico reforça que uma resposta favorável às urnas pode mudar conforme surgem novas informações sobre a eleição e a política econômica.

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