
A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (30) pelo Banco Central. O percentual corresponde a aproximadamente R$ 11,1 trilhões e representa alta em relação aos 82,2% registrados em julho.
A DBGG considera os débitos do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos governos estaduais e municipais. O indicador é acompanhado para avaliar a evolução do endividamento do setor público.
Um dos principais fatores por trás do aumento foi o pagamento de juros nominais, que somaram R$ 105,9 bilhões em agosto, o equivalente a 0,8% do PIB. A taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano.
Nos 12 meses encerrados em agosto, os juros nominais pagos pelo setor público chegaram a aproximadamente R$ 1,18 trilhão, equivalente a 8,86% do PIB.
Além dos juros, o setor público registrou déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto. O resultado considera receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida.
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) também avançou. Em agosto, chegou a 69,3% do PIB, ou R$ 9,24 trilhões. Em julho, o indicador estava em 68,8% do PIB.
No acumulado de 12 meses, o setor público registrou déficit nominal de R$ 1,2 trilhão, resultado que inclui tanto o resultado primário quanto os juros da dívida.
Os números mostram que o custo dos juros continua tendo peso relevante na evolução do endividamento brasileiro. Ao mesmo tempo, o resultado fiscal primário também influencia a trajetória da dívida: quando as despesas superam as receitas antes dos juros, o déficit tende a contribuir para o aumento do estoque.
É importante diferenciar os indicadores. A Dívida Bruta do Governo Geral, de 82,9% do PIB, considera os passivos brutos dos governos federal, estaduais e municipais. Já a Dívida Líquida do Setor Público, de 69,3% do PIB, desconta determinados ativos financeiros do setor público.
A divulgação de agosto ocorre em um cenário de juros ainda elevados. O Banco Central vem reduzindo a Selic, mas a taxa permanece em dois dígitos, o que mantém elevado o custo de carregamento da dívida pública.
O resultado também mostra uma diferença em relação à Dívida Pública Federal, divulgada pelo Tesouro Nacional: esse estoque chegou a R$ 9,29 trilhões em agosto, indicador que não inclui todos os componentes considerados na DBGG.