
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação comercial que propõe a aplicação de um tarifaço de 25% sobre a maioria dos produtos brasileiros. A justificativa americana foca em supostas desvantagens comerciais causadas pelo Pix, regulação de redes sociais e o mercado de etanol. Em resposta imediata, o governo brasileiro enviou uma defesa robusta de 29 páginas para tentar barrar a canetada final de Donald Trump.
O Itamaraty argumentou formalmente que o Pix é uma ferramenta regulatória neutra, que expandiu o mercado de pagamentos digitais e incluiu grandes bandeiras americanas, como Visa e Google Pay, em vez de prejudicá-las. O governo brasileiro enfatizou que as sanções unilaterais propostas por Washington são desproporcionais e acabarão prejudicando os próprios consumidores e empresas americanas.
A crise econômica rapidamente se transformou em uma guerra de narrativas políticas no Brasil. O senador Flávio Bolsonaro enviou um documento ao USTR solicitando que a decisão final sobre as tarifas seja adiada para depois das eleições. Na justificativa, o senador argumentou que a imposição imediata das taxas daria um "discurso de vitimização" e uma "vitória política doméstica" para o presidente Lula.
A reação do Palácio do Planalto foi imediata e agressiva. O presidente Lula rebateu duramente a postura da oposição, classificando o pedido de adiamento como "entreguismo" e rotulando a iniciativa de "traição à pátria". Cientistas políticos apontam que os desdobramentos dessa disputa tarifária devem ditar o ritmo e o humor do eleitorado na corrida presidencial de 2026.