
Os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux protagonizaram novos momentos de tensão durante o julgamento desta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa a possível abertura de investigação contra Alexandre de Moraes.
Gilmar afirmou que há uma “evidente condução política eleitoral” relacionada ao caso e defendeu que o Supremo se mantenha afastado da disputa eleitoral de 2026.
“Separem o Supremo das eleições”, afirmou o ministro durante a sessão.
A declaração ocorreu em meio à discussão sobre a atuação da Polícia Federal e os efeitos políticos que decisões judiciais envolvendo ministros do STF podem produzir no período que antecede as eleições. A manifestação de Gilmar foi acompanhada de críticas à forma como a investigação vem sendo conduzida.
Na sequência, Luiz Fux criticou a atuação da Polícia Federal e afirmou que a instituição não pode atuar contra o Poder Judiciário.
“A PF não pode trabalhar contra o Poder Judiciário”, disse Fux.
O ministro afirmou ainda que nunca havia visto a Polícia Federal “peitar um ministro do STF” e acusou a corporação de praticar desvios em sua atuação no episódio em discussão.
Fux também relembrou um episódio em que Gilmar Mendes havia pedido o afastamento de um diretor da Polícia Federal. Ao ser questionado sobre a situação, Gilmar respondeu que havia feito o pedido “a quem de direito”.
A troca entre os ministros ocorreu durante um debate mais amplo sobre os limites da atuação da PF, do Judiciário e dos próprios ministros na condução das investigações.
Após a manifestação de Fux, Gilmar voltou a falar sobre a relação entre a Polícia Federal e o Supremo. O ministro afirmou que a Corte não deve assumir funções próprias de uma instituição policial.
“Não deixe o tribunal virar um órgão de polícia, trazer delegados para cá, isso é errado, sujeito passa a confundir as coisas”, afirmou.
Gilmar disse ainda que já havia proposto que o presidente do STF proibisse a nomeação de delegados da PF para atuar como assessores de ministros.
“Nós sabemos para que serve esse tipo de prática”, declarou.
O embate ocorre em uma sessão marcada por divergências entre os integrantes do Supremo sobre a atuação da PF, a condução do caso e os limites das decisões individuais dos ministros. O julgamento também discute relatório produzido pela PF a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master