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O que é o semipresidencialismo defendido por Augusto Cury?

Candidato do Avante propõe reduzir a concentração de poder no presidente e criar o cargo de primeiro-ministro, escolhido com apoio do Congresso

Por: Maria Eduarda Lima Fonte: Redação BGN
27/08/2026 às 15h19
O que é o semipresidencialismo defendido por Augusto Cury?
Foto: Reprodução

O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) defende uma mudança no sistema político brasileiro: a substituição do atual presidencialismo pelo semipresidencialismo. A proposta está entre as principais reformas institucionais apresentadas pelo candidato em seu plano de governo, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mas, afinal, o que mudaria na prática?

Como funciona o presidencialismo atual?

O Brasil adota atualmente o presidencialismo. Nesse sistema, o presidente é eleito diretamente pela população e acumula as funções de chefe de Estado e chefe de governo.

Isso significa que cabe ao presidente conduzir a administração federal, escolher os ministros, definir prioridades do governo e executar políticas públicas, além de representar o país internacionalmente.

Para Cury, essa concentração de atribuições cria a figura do que ele chama de “superpresidente”. Em sabatina, o candidato afirmou que o modelo atual concentra poderes excessivos no chefe do Executivo.

E o que é o semipresidencialismo?

No semipresidencialismo, o poder Executivo é dividido entre um presidente e um primeiro-ministro.

O presidente continuaria sendo escolhido diretamente pelos eleitores e manteria funções estratégicas de Estado. Já o primeiro-ministro seria responsável pela condução cotidiana do governo e precisaria contar com o apoio da maioria do Parlamento.

Na proposta apresentada por Cury, o presidente cuidaria de áreas como Forças Armadas e questões estratégicas, enquanto o primeiro-ministro ficaria responsável pela gestão do país.

Uma das principais diferenças em relação ao sistema atual é justamente essa divisão entre chefe de Estado e chefe de governo.

Quem escolheria o primeiro-ministro?

A ideia defendida por Cury prevê que o primeiro-ministro tenha o respaldo do Congresso Nacional. Caso perca o apoio da maioria parlamentar, ele poderá deixar o cargo e ser substituído por outro nome capaz de formar uma maioria.

O mecanismo busca aproximar a formação do governo da composição do Parlamento e reduzir situações de confronto permanente entre Executivo e Legislativo.

Em agosto, Cury chegou a afirmar que, caso fosse eleito, convidaria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para ocupar o cargo de primeiro-ministro.

O que aconteceria com o presidente?

O presidente não deixaria de ter poder. A principal mudança seria a divisão das atribuições.

No modelo defendido pelo candidato, o chefe de Estado continuaria eleito diretamente e concentraria funções estratégicas, enquanto o primeiro-ministro comandaria a administração federal.

Uma proposta de semipresidencialismo discutida anteriormente no Congresso também previa que o presidente mantivesse atribuições como nomeação de autoridades, sanção ou veto de projetos, representação internacional e comando das Forças Armadas.

É importante destacar, porém, que o modelo defendido por Cury não significa simplesmente copiar o sistema de outro país. A forma de funcionamento dependeria das regras estabelecidas em uma eventual mudança constitucional.

Por que Cury defende a mudança?

O principal argumento do candidato é a necessidade de desconcentrar o poder político.

Cury afirma que o presidente brasileiro acumula responsabilidades demais e que o sistema atual favorece conflitos entre Executivo e Legislativo. Na avaliação dele, a participação do Congresso na escolha e sustentação do primeiro-ministro poderia aumentar a responsabilidade dos parlamentares sobre a condução do governo.

O candidato também defende o fim da reeleição presidencial, outra mudança que está incluída em seu plano de governo. Segundo Cury, a possibilidade de reeleição seria uma das fontes de problemas políticos e deveria ser eliminada.

O Brasil já teve algo parecido?

O país não adota atualmente o semipresidencialismo, mas já passou por uma experiência parlamentarista.

Em 1961, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, foi adotado o parlamentarismo como solução para permitir a posse de João Goulart. O sistema, porém, durou pouco: um plebiscito realizado em 1963 decidiu pelo retorno do presidencialismo.

Mais recentemente, a possibilidade de adotar o semipresidencialismo voltou a ser discutida no Congresso. A ideia, no entanto, ainda não foi aprovada como mudança do sistema de governo.

O que precisaria acontecer para o Brasil mudar?

A adoção do semipresidencialismo exigiria uma mudança na Constituição Federal, aprovada pelo Congresso Nacional.

Portanto, mesmo que Cury seja eleito presidente, ele não poderia simplesmente mudar o sistema de governo por decisão própria. Seria necessário aprovar uma alteração constitucional e estabelecer as novas regras de funcionamento dos Poderes.

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