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PF realiza Operação Arena contra esquema de crimes financeiros ligado a apostas esportivas

Ação investiga uso de empresas no Brasil e no exterior para ocultar recursos e envolve 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados

Por: Maria Eduarda Lima Fonte: Redação BGN
13/08/2026 às 15h12
PF realiza Operação Arena contra esquema de crimes financeiros ligado a apostas esportivas
Foto: Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (13), a Operação Arena, que investiga um suposto esquema de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relacionado à exploração de apostas esportivas e jogos de azar. A ação é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), a Receita Federal e o Ministério da Fazenda.

Ao todo, foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão em 14 endereços nos estados da Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. A Justiça Federal também autorizou a apreensão de bens e valores de até R$ 1 bilhão, quantia estimada pelos investigadores como o valor dos recursos desviados.

Entre os alvos da operação está o advogado Nelson Wilians, cuja mansão em São Paulo foi alvo de buscas. A investigação também mira empresas e pessoas ligadas ao grupo empresarial suspeito. A empresa paraibana Pixbet, que atua no setor de apostas esportivas, também está entre os alvos da operação.

Como funcionaria o esquema

Segundo o MPF, o grupo investigado teria criado uma estrutura complexa de empresas e operações financeiras no Brasil e no exterior para dar aparência de legalidade a recursos relacionados às apostas de quota fixa e aos jogos de azar.

Empresas constituídas fora do país teriam sido utilizadas para justificar grandes remessas internacionais, apesar de, segundo os investigadores, não apresentarem atividades econômicas compatíveis com os valores movimentados.

A investigação aponta ainda o uso de instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e empresas nacionais e estrangeiras para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.

Os investigadores também encontraram indícios de possível omissão de rendimentos e de utilização de estruturas empresariais para reduzir ou evitar de maneira irregular os tributos incidentes sobre as atividades do grupo.

Busca na mansão de Nelson Wilians

O advogado Nelson Wilians é um dos principais alvos da Operação Arena. Segundo as investigações divulgadas até o momento, ele é suspeito de atuar como operador financeiro do grupo investigado e de participar de mecanismos de ocultação de patrimônio.

Durante as buscas em um imóvel ligado ao advogado em São Paulo, a PF apreendeu dois veículos de luxo avaliados em aproximadamente R$ 10 milhões, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira.

O escritório de Wilians afirmou que sua relação com empresas do setor de apostas é estritamente profissional e que a atuação ocorre por meio da prestação de serviços jurídicos. A defesa nega envolvimento em atividades ilícitas.

Investigação continua

A Operação Arena é conduzida a partir de uma investigação que tramita na Justiça Federal da Paraíba e conta com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na Paraíba, com apoio do Gaeco Nacional.

De acordo com o MPF, os elementos obtidos durante o cumprimento dos mandados serão analisados para aprofundar a investigação e determinar a eventual participação de cada um dos envolvidos nas possíveis irregularidades. O material também deverá subsidiar uma eventual denúncia à Justiça.

Até o momento, os investigados são tratados como suspeitos, e a operação não representa, por si só, uma conclusão sobre a prática dos crimes. As responsabilidades individuais ainda serão apuradas ao longo da investigação.

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