
A sessão extraordinária e inédita do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) convocada para debater os desdobramentos envolvendo o caso do Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes transformou-se em um dos momentos mais tensos da história recente da Corte. Marcada por bate-bocas públicos, quebras de decoro regimental e acusações diretas entre ministros, o encontro escancarou divisões profundas no tribunal.
O tom crítico foi ditado logo na abertura pelo presidente da Corte, Edson Fachin, que admitiu atravessar um período difícil e apelou por serenidade, lembrando que o colegiado julga fatos e questões jurídicas, e não pessoas. No entanto, o apelo durou pouco. Logo nos primeiros minutos, um atrito regimental ocorreu quando Fachin exigiu que os pedidos de aparte fossem direcionados à Presidência. O ministro Flávio Dino recusou, afirmando que seguiria o regimento interno ao direcionar apartes diretamente a quem estivesse com a palavra, gerando um impasse imediato sobre a condução dos trabalhos.
O ponto de maior ebulição da tarde ocorreu no confronto direto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça. Cobrando transparência e celeridade, Moraes disparou: "Quem tem medo da Polícia Federal?". A situação escalou quando Moraes afirmou publicamente possuir testemunhas — entre delegados e advogados — de que Mendonça teria exigido ou tentado direcionar investigações contra ele. A reação foi instantânea:
Moraes: "Vamos chamar os delegados da Polícia Federal, advogados, testemunhas..."
Mendonça: "É mentira!", rebateu o ministro, repetindo a acusação de falsidade nas alegações de bastidores.
A gravidade do momento também se estendeu ao flanco operacional das corporações. Durante os debates, o ministro Luiz Fux subiu o tom ao alertar sobre a perda de controle institucional, afirmando categoricamente: "Temos hoje uma PF paralela", ao discutir os riscos de divisões e resistências internas na cúpula da Polícia Federal em meio a decisões cruzadas da Corte.
O ápice da animosidade verbal incluiu ainda o decano Gilmar Mendes, que criticou o viés político do processo e comparou a condução a práticas de "relação de máfia", gerando um confronto direto com Mendonça após este pedir para que o decano não apontasse o dedo para ele. "Quem não se dá ao respeito, não merece respeito", retrucou Gilmar.
O julgamento segue em andamento no Plenário, com o desafio de pacificar o tribunal e definir a legalidade das diligências e o futuro das apurações.