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Polícia Civil e MPRJ desarticulam esquema que movimentou mais de R$ 100 milhões para facções criminosas

Operação Hawala cumpre mandados em quatro estados e investiga rede de lavagem de dinheiro ligada ao TCP, CV e PCC; apuração também aponta possível conexão com estrutura de financiamento da Al-Qaeda

Por: Maria Eduarda Lima Fonte: Redação BGN
15/07/2026 às 13h45
Polícia Civil e MPRJ desarticulam esquema que movimentou mais de R$ 100 milhões para facções criminosas
Foto: Divulgação/ PCERJ

Uma operação conjunta da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) desarticulou, nesta quarta-feira (15), uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas. Batizada de Operação Hawala, a ação mira um esquema que movimentou mais de R$ 100 milhões entre 2021 e 2024 e que, segundo as investigações, prestava serviços financeiros a facções como o Terceiro Comando Puro (TCP), o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A operação é conduzida por agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ). Ao todo, estão sendo cumpridos mandados de prisão, de busca e apreensão, além de medidas cautelares para bloqueio de ativos financeiros, indisponibilidade de bens e participações societárias. As diligências ocorrem nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná, na região de Foz do Iguaçu. Até o momento, dez pessoas foram presas.

As investigações começaram a partir da atuação do TCP no Complexo de São Carlos, na região central do Rio de Janeiro. No decorrer da apuração, os investigadores identificaram que a mesma estrutura financeira era utilizada para movimentar e ocultar recursos de diferentes organizações criminosas, funcionando como uma espécie de "prestadora de serviços" para facções envolvidas com o tráfico de drogas.

Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava dezenas de empresas de fachada distribuídas em diferentes estados para dar aparência de legalidade aos valores obtidos por meio de atividades criminosas, como tráfico de drogas, receptação qualificada e comercialização de produtos falsificados.

A investigação revelou uma sofisticada engenharia financeira baseada em empresas fictícias, sucessivas transferências entre pessoas jurídicas vinculadas, depósitos fracionados em dinheiro, uso de "laranjas" para movimentação bancária e operações incompatíveis com a capacidade financeira declarada pelos investigados. As análises contaram com o apoio do Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) da Polícia Civil.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a identificação de um núcleo de empresários de origem libanesa que, segundo a apuração, teria ampliado a circulação interestadual e internacional dos recursos ilícitos. Empresas registradas em São Paulo e Minas Gerais eram utilizadas para intermediar movimentações financeiras entre operadores do esquema, empresas de fachada e integrantes das facções criminosas.

As investigações também apontam a atuação desse grupo na região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina. A área é monitorada por órgãos nacionais e internacionais por ser considerada estratégica para operações financeiras ligadas à lavagem de dinheiro, contrabando, tráfico de drogas e financiamento do terrorismo.

Durante as diligências, os agentes identificaram ainda uma relação comercial entre uma empresa ligada aos investigados e um indivíduo sancionado pelo Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável pela aplicação de sanções econômicas. Conforme a investigação, esse indivíduo integra uma estrutura de financiamento da organização terrorista Al-Qaeda. A Polícia Civil informou que a possível conexão internacional será aprofundada a partir da análise do material apreendido durante a operação.

As apurações também apontam que uma operadora financeira administrava empresas responsáveis por movimentar mais de R$ 47 milhões no período investigado. Um contador investigado é apontado como um dos principais articuladores do esquema, sendo responsável pela escrituração das empresas utilizadas para ocultar os recursos ilícitos e por conferir aparência de regularidade às operações financeiras. Segundo os investigadores, ele deixou de cumprir obrigações legais relacionadas à prevenção da lavagem de dinheiro e à comunicação de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

De acordo com a Polícia Civil e o MPRJ, o objetivo da Operação Hawala é enfraquecer financeiramente as organizações criminosas, desarticular a estrutura de lavagem de dinheiro e identificar outros envolvidos no esquema. As investigações continuam em cooperação com órgãos nacionais e internacionais especializados no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.

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