
O avanço das investigações da Polícia Federal (PF) na 10ª fase da Operação Compliance Zero trouxe à tona um forte contraste político e social no Distrito Federal. O publicitário Thiago Miranda, alvo de mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (9), recebeu em fevereiro de 2025 o título de "Cidadão Benemérito de Brasília", a mais alta honraria concedida pela Câmara Legislativa do DF (CLDF) a pessoas com relevantes serviços prestados à capital.
A homenagem foi proposta pelo deputado Pepa (PP), atual líder do governo na Câmara Distrital. No entanto, o cenário atual coloca o agraciado sob os luzes da Justiça Federal. Segundo as investigações autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, Miranda é apontado como homem de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro e suspeito de coordenar uma estrutura criminosa voltada a desestabilizar instituições públicas e coagir profissionais de imprensa.
A Polícia Federal aponta que o publicitário desempenhava papel central no "Projeto DV", um esquema que utilizava vultosos recursos financeiros para contratar influenciadores digitais e realizar campanhas coordenadas de desinformação com o objetivo de minar a credibilidade e a atuação do Banco Central. Além dos ataques institucionais, o grupo realizava levantamentos clandestinos de dados pessoais, fiscais e sigilosos — prática semelhante à criação de dossiês de espionagem — para intimidar concorrentes e monitorar jornalistas que cobriam as fraudes financeiras ligadas ao caso.
Entre os alvos do monitoramento ilegal estavam a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e o próprio CEO do banco Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho. Em notas oficiais, a defesa de Thiago Miranda negou categoricamente a prática de qualquer ilegalidade e repudiou o que chamou de "vazamentos seletivos" da investigação. Diante dos fatos, o caso reabre debates profundos na capital federal sobre a responsabilidade ética na concessão de honrarias públicas e o uso nocivo dos meios digitais de comunicação.