
O Grupo Casas Bahia aprovou e protocolou neste domingo (16) um pedido de recuperação judicial para a companhia e nove de suas subsidiárias. A medida foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador e apresentada ao Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.
Segundo a empresa, o pedido ocorre diante da deterioração das condições econômico-financeiras enfrentadas pelo grupo. Entre os fatores citados estão o ambiente de juros elevados, a restrição de crédito, o aumento do custo financeiro e a pressão sobre o consumo e o capital de giro. A companhia também afirma que alternativas de liquidez que estavam sendo estruturadas não foram concretizadas.
Além do Grupo Casas Bahia, fazem parte do pedido nove subsidiárias:
ASAP Log – Logística e Soluções Ltda.;
ASAP Log Ltda.;
CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda.;
Cntlog Express Logística e Transporte Ltda.;
Globex Administração e Serviços Ltda.;
Cnova Comércio Eletrônico S.A.;
Integra Soluções para Varejo Digital Ltda.;
Casas Bahia Tecnologia Ltda.;
Indústria de Móveis Bartira Ltda.
O pedido foi protocolado em caráter de urgência. Por isso, o Conselho de Administração também aprovou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária, que deverá analisar e ratificar a decisão. A proposta para a assembleia ainda será divulgada pela companhia.
De acordo com o fato relevante, a recuperação judicial é apresentada como uma etapa da reestruturação financeira do grupo. A empresa afirma que busca preservar a continuidade das atividades, proteger a geração de valor no futuro e encontrar uma solução organizada para suas obrigações.
Na prática, o processo permite que uma empresa em dificuldades financeiras apresente um plano para reorganizar suas dívidas e continuar funcionando, em vez de simplesmente encerrar as atividades. O objetivo da medida, portanto, não é decretar a falência da companhia, mas criar condições para que ela possa se reorganizar financeiramente.
A Casas Bahia afirma que pretende reperfilar e alongar suas dívidas financeiras e operacionais, além de adequar sua estrutura a operações com maior rentabilidade e margem de contribuição.
Segundo a companhia, não há previsão de interrupção relevante das operações durante o processo. O grupo afirma que pretende manter suas atividades em todos os canais existentes, priorizando o atendimento aos clientes e consumidores e os atuais níveis de qualidade e serviço.
A estratégia de reestruturação, no entanto, prevê uma revisão da estrutura operacional, com maior concentração em atividades consideradas mais rentáveis.
O pedido ocorre após um período de forte deterioração dos resultados financeiros da empresa. No segundo trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, segundo os resultados divulgados pela companhia, em um cenário que também envolveu fechamento de lojas e redução do quadro de funcionários.
Com o pedido protocolado, o processo passa a tramitar na Justiça. A companhia deverá apresentar as informações e documentos exigidos para o processo de recuperação judicial, enquanto os credores participam das etapas previstas pela legislação.
Paralelamente, a Casas Bahia deverá levar a decisão para análise dos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária. A empresa afirma que manterá o mercado informado sobre os próximos desdobramentos.