
A influenciadora digital Virgínia Fonseca e a plataforma de jogos de azar online Blaze estão no centro de uma das maiores batalhas jurídicas do ano no país. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios [MPDFT] ajuizou uma ação civil pública exigindo o pagamento de R$ 120 milhões por danos morais coletivos e prejuízos causados a milhares de cidadãos que utilizavam a plataforma de apostas.
A ação é fruto de uma série de investigações e reclamações de consumidores que relataram perdas financeiras severas, dificuldades para sacar saldos de suas contas e a falta de transparência nos algoritmos dos jogos oferecidos pela Blaze, que opera de fora do país.
Segundo os promotores do MPDFT, Virgínia Fonseca utilizou seu massivo poder de alcance nas redes sociais — onde acumula dezenas de milhões de seguidores — para promover a plataforma de forma ostensiva, associando os jogos de azar a uma ilusão de ganho fácil e enriquecimento rápido.
O Ministério Público argumenta que a publicidade realizada pela influenciadora violou o Código de Defesa do Consumidor por ser considerada enganosa e abusiva, atingindo um público vulnerável, inclusive menores de idade. A vultosa quantia de R$ 120 milhões pedida na ação visa punir o enriquecimento ilícito decorrente das fraudes e servir de caráter pedagógico para o mercado de influenciadores digitais.
A equipe jurídica de Virgínia Fonseca informou em nota que ainda não foi formalmente notificada da ação e que a influenciadora sempre cumpriu com os contratos de publicidade dentro da legalidade vigente na época. A Blaze não indicou representantes legais para comentar o caso até o fechamento desta edição.
A ação civil pública agora tramita na Justiça do Distrito Federal e pode abrir um precedente histórico sobre a corresponsabilidade de grandes influenciadores na promoção de plataformas de apostas e cassinos online no Brasil.