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Governo francês pede toques de recolher localizados após violência em protestos
Primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou restrições parciais e não descartou estado de emergência; manifestações têm como pautas o custo de vida e as condições da educação
19/10/2026 10h49
Por: Maria Eduarda Lima Fonte: Redação BGN
Foto: MOHAMMED BADRA/EFE/EPA

O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou nesta segunda-feira (19) que solicitou a adoção de toques de recolher parciais em localidades atingidas por saques, incêndios e confrontos durante o fim de semana. A medida pretende conter novos episódios de violência registrados em meio às manifestações contra o aumento do custo de vida e as condições do sistema educacional.

Segundo Lecornu, as restrições serão limitadas a áreas específicas. O pedido foi dirigido aos préfets, representantes regionais do governo francês. No anúncio, a relação completa dos locais e os horários ainda não havia sido divulgada.

O premiê também afirmou que poderá recorrer a medidas adicionais. “Se a declaração de estado de emergência for considerada necessária, nós o faremos”, declarou em entrevista coletiva. Lecornu anunciou ainda uma operação judicial para responsabilizar os envolvidos nos atos violentos.

Mais de 500 mil pessoas participaram das manifestações de sábado (17), segundo a cobertura dos protestos. Embora a maioria tenha se manifestado pacificamente, grupos incendiaram objetos nas ruas, saquearam estabelecimentos e atacaram prédios públicos em diferentes cidades. Paris, Lyon e Limoges estiveram entre os locais atingidos.

De acordo com o Ministério do Interior, cerca de 2.400 pessoas foram detidas e quase mil policiais e gendarmesficaram feridos. Em Limoges, o prédio histórico da prefeitura foi atingido por um incêndio.

A dimensão dos distúrbios ampliou a pressão sobre o governo. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, reconheceu falhas na preparação das forças de segurança e apresentou um pedido de demissão, rejeitado pelo presidente Emmanuel Macron. O presidente determinou uma revisão dos procedimentos de planejamento e inteligência utilizados antes das manifestações.

Nesta segunda-feira, a mobilização também chegou ao Museu do Louvre, em Paris. Estudantes bloquearam os acessos em apoio ao movimento estudantil e em protesto contra a atuação policial, impedindo a abertura da instituição no horário previsto.

Macron condenou os saques e a destruição e prometeu responsabilizar os autores. O governo também anunciou reuniões para ouvir as reivindicações e discutir respostas à crise.