Economia JUROS
Brasil volta a ter maior juro real do mundo após novo corte da Selic
Copom reduziu a taxa básica de 14% para 13,75% ao ano; segundo levantamento da MoneYou, juro real brasileiro ficou em 8,45%
18/09/2026 13h48
Por: Maria Eduarda Lima Fonte: Redação BGN
Foto: Canva

O Brasil voltou a ter o maior juro real do mundo após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual foi anunciado na quarta-feira (16) e representou a quinta redução consecutiva dos juros em 2026. 

Mesmo com a redução da taxa básica, o país passou novamente à primeira posição do ranking de juros reais elaborado pela MoneYou em parceria com a Lev Intelligence. O indicador brasileiro ficou em 8,45% ao ano, ante 9,30% no levantamento anterior. 

O juro real representa a taxa de juros descontada da inflação. No levantamento, o cálculo utiliza a taxa de juros de mercado para os próximos 12 meses e a expectativa de inflação para o mesmo período. Para o Brasil, foi considerada uma inflação projetada de 4,71%, conforme o Boletim Focus do Banco Central. 

Na sequência do ranking aparecem Rússia, com 6,79%, Colômbia, com 6,33%, e Turquia, com 6,25%. A média entre as 40 economias analisadas ficou em 1,62%. 

Novo patamar da Selic

A decisão do Copom levou a Selic ao menor nível desde o início do atual ciclo de cortes. A taxa havia permanecido em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, quando o Banco Central iniciou a sequência de reduções. 

A redução de setembro foi aprovada por unanimidade. No comunicado, o Copom afirmou que a decisão é compatível com a estratégia de levar a inflação para próximo da meta e destacou que o cenário internacional continua marcado por incertezas, especialmente em razão dos conflitos no Oriente Médio e de seus possíveis efeitos sobre preços de ativos e commodities. 

A Selic é a principal taxa de juros da economia brasileira e serve como referência para diversas operações de crédito e investimentos. Quando a taxa está elevada, o custo de financiamentos e empréstimos tende a aumentar, enquanto aplicações de renda fixa atreladas aos juros podem oferecer maior remuneração.

No ranking de juros nominais, porém, o Brasil não ocupa a primeira posição. Com Selic de 13,75%, aparece em quarto lugar entre as 40 economias analisadas, atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (14%). A diferença ocorre porque o juro real leva em consideração também as expectativas de inflação.

O resultado ocorre enquanto o Banco Central mantém uma política monetária voltada à convergência da inflação para a meta, em um cenário que também apresenta sinais de desaceleração da atividade econômica.