Política EMBATE
Gilmar acusa condução política e eleitoral, e Fux critica atuação da PF no julgamento do STF
Ministros divergiram sobre a atuação da Polícia Federal e defenderam que o Supremo não seja envolvido na disputa eleitoral de 2026
15/09/2026 13h51
Por: Maria Eduarda Lima Fonte: Redação BGN
Ministro Luiz Fux durante julgamento no STF. Foto: Reprodução/TV Justiça

Os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux protagonizaram novos momentos de tensão durante o julgamento desta terça-feira (15) no Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa a possível abertura de investigação contra Alexandre de Moraes.

Gilmar afirmou que há uma “evidente condução política eleitoral” relacionada ao caso e defendeu que o Supremo se mantenha afastado da disputa eleitoral de 2026.

“Separem o Supremo das eleições”, afirmou o ministro durante a sessão.

A declaração ocorreu em meio à discussão sobre a atuação da Polícia Federal e os efeitos políticos que decisões judiciais envolvendo ministros do STF podem produzir no período que antecede as eleições. A manifestação de Gilmar foi acompanhada de críticas à forma como a investigação vem sendo conduzida.

Fux critica atuação da PF

Na sequência, Luiz Fux criticou a atuação da Polícia Federal e afirmou que a instituição não pode atuar contra o Poder Judiciário.

“A PF não pode trabalhar contra o Poder Judiciário”, disse Fux.

O ministro afirmou ainda que nunca havia visto a Polícia Federal “peitar um ministro do STF” e acusou a corporação de praticar desvios em sua atuação no episódio em discussão.

Fux também relembrou um episódio em que Gilmar Mendes havia pedido o afastamento de um diretor da Polícia Federal. Ao ser questionado sobre a situação, Gilmar respondeu que havia feito o pedido “a quem de direito”.

A troca entre os ministros ocorreu durante um debate mais amplo sobre os limites da atuação da PF, do Judiciário e dos próprios ministros na condução das investigações.

Gilmar critica presença de delegados no STF

Após a manifestação de Fux, Gilmar voltou a falar sobre a relação entre a Polícia Federal e o Supremo. O ministro afirmou que a Corte não deve assumir funções próprias de uma instituição policial.

“Não deixe o tribunal virar um órgão de polícia, trazer delegados para cá, isso é errado, sujeito passa a confundir as coisas”, afirmou.

Gilmar disse ainda que já havia proposto que o presidente do STF proibisse a nomeação de delegados da PF para atuar como assessores de ministros.

“Nós sabemos para que serve esse tipo de prática”, declarou.

O embate ocorre em uma sessão marcada por divergências entre os integrantes do Supremo sobre a atuação da PF, a condução do caso e os limites das decisões individuais dos ministros. O julgamento também discute relatório produzido pela PF a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master