Um relatório da Polícia Federal trouxe novos detalhes sobre a estrutura financeira do filme Dark Horse, produção que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo os investigadores, Eduardo Bolsonaro apresentou alternativas para administrar nos Estados Unidos os recursos destinados ao longa.
As informações aparecem no pedido da PF para abertura de inquérito que investiga os repasses feitos pelo ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o financiamento da produção. A apuração foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
De acordo com a PF, em 21 de março de 2025, o publicitário Thiago Miranda, apontado como intermediário dos contatos entre Vorcaro e a família Bolsonaro, encaminhou ao banqueiro uma captura de tela de uma conversa atribuída a Eduardo.
Na mensagem, Eduardo teria apresentado alternativas para que o dinheiro destinado ao filme fosse administrado nos Estados Unidos. Ele afirmou que o ideal seria que os recursos já estivessem no país e sugeriu o envio da maior quantidade possível de valores pelo sistema utilizado naquele momento.
A investigação identificou US$ 12,3 milhões em recursos enviados em 2025 ao Havengate Development Fund LP, fundo registrado nos Estados Unidos e relacionado à estrutura financeira de Dark Horse. O valor corresponde a cerca de R$ 63 milhões pela cotação atual.
O fundo era administrado pelo advogado Paulo Calixto, que possui vínculo profissional com Eduardo Bolsonaro. Segundo a PF, o Havengate havia sido criado em 2020 para um projeto imobiliário no Texas, mas permaneceu praticamente inativo por anos antes de começar a receber os recursos relacionados ao filme.
Os investigadores passaram a analisar a estrutura justamente porque os recursos destinados à produção foram enviados para uma estrutura financeira nos Estados Unidos antes de serem utilizados no projeto.
O relatório também detalha a atuação de Flávio Bolsonaro nas negociações com Daniel Vorcaro.
Segundo a PF, o senador manteve contato direto com o banqueiro e cobrou repasses para o filme ao longo de 2025. As mensagens mostram Flávio acompanhando a situação financeira da produção e pressionando pela liberação dos recursos.
A PF afirma que os envolvidos negociaram inicialmente US$ 24 milhões para o projeto. Desse montante, pelo menos US$ 12,3 milhões foram efetivamente transferidos para o fundo nos Estados Unidos.
O senador está formalmente investigado no STF no inquérito que apura o financiamento de Dark Horse. A investigação busca esclarecer a origem, o destino e a finalidade dos recursos.
Outro ponto destacado pelos investigadores é o tamanho do orçamento e as projeções de bilheteria apresentadas para o filme.
Um documento encontrado no celular de Vorcaro, chamado “Plano de Negócio Capitão do Povo”, previa que Dark Horse poderia arrecadar entre US$ 45 milhões e US$ 100 milhões nas bilheterias. Na conversão atual, o cenário mais otimista representa cerca de R$ 510 milhões.
A projeção chamou a atenção da PF por estar muito acima dos padrões do mercado cinematográfico brasileiro. O orçamento previsto para a produção era de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 122 milhões atualmente.
Para os investigadores, os valores e a estrutura financeira do projeto justificam o aprofundamento da apuração sobre a viabilidade econômica e a finalidade dos recursos.