O número de empresas inadimplentes no Brasil superou 9,1 milhões em junho de 2026, atingindo o maior nível da série histórica do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. O levantamento, divulgado neste mês, mostra que os CNPJs negativados acumulavam R$ 232,9 bilhões em dívidas.
Na comparação com junho de 2025, houve crescimento de 17,2% no número de empresas inadimplentes. Cada CNPJ nessa situação tinha, em média, 7,3 contas em atraso, com dívida média de aproximadamente R$ 25,5 mil por empresa.
As micro e pequenas empresas concentram a maior parte dos negócios inadimplentes no país. Em junho, eram cerca de 8,7 milhões de CNPJs nessa situação, segundo a série de indicadores da Serasa.
O cenário é especialmente relevante porque empresas menores costumam ter menos acesso a linhas de crédito estruturadas e maior dependência de recursos de curto prazo para manter o fluxo de caixa.
O recorde registrado em junho dá sequência a uma trajetória de alta observada ao longo de 2026.
Em abril, o país havia atingido pela primeira vez a marca de 9 milhões de empresas inadimplentes, com R$ 220,9 bilhões em dívidas negativadas.
Em março, eram 8,9 milhões de CNPJs inadimplentes e R$ 212,8 bilhões em dívidas.
O avanço ocorre mesmo em meio ao início do ciclo de redução da taxa básica de juros. Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, as condições financeiras ainda permanecem restritivas, e os juros continuam elevados em termos históricos, dificultando uma melhora mais consistente do crédito e do fluxo de caixa empresarial.
O problema não está restrito às empresas. Dados mais recentes da Serasa apontam que 83,9 milhões de consumidores estavam inadimplentes em julho de 2026, o equivalente a 51% da população adulta.
O cenário cria um ciclo de pressão sobre a economia: famílias com orçamento comprometido tendem a consumir menos, enquanto empresas enfrentam dificuldades para receber e, consequentemente, manter o próprio caixa.
Apesar da inadimplência elevada, a procura das empresas por crédito continua crescendo. Segundo a Serasa Experian, a demanda por crédito empresarial avançou 9,2% nos 12 meses encerrados em junho. Entre micro e pequenas empresas, também houve alta de 9,2%.
Para a Serasa, o movimento mostra a necessidade de financiamento para capital de giro e manutenção das operações, principalmente entre os pequenos negócios.
O recorde de inadimplência, portanto, ocorre em um momento de crédito mais caro, necessidade de financiamento elevada e desaceleração da atividade econômica, aumentando a pressão sobre empresas que precisam equilibrar receitas, despesas e pagamento de dívidas.