A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) a descoberta de hidrocarbonetos em águas ultraprofundas na costa do Amapá, em um poço localizado na Margem Equatorial brasileira. A descoberta ainda será submetida a novas avaliações para determinar as características e a viabilidade comercial dos reservatórios.
A região é considerada uma das principais novas fronteiras exploratórias da companhia. A Margem Equatorial se estende do litoral do Amapá ao Rio Grande do Norte, passando pelas bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.
Segundo a Petrobras, a expectativa é que, caso a descoberta seja confirmada como comercialmente viável, o início da produção possa ocorrer em aproximadamente sete anos. O período considera as etapas necessárias entre a exploração, a avaliação das reservas, o desenvolvimento do projeto e a instalação da infraestrutura necessária para a produção.
A Petrobras informou que o poço está localizado em águas ultraprofundas e que os dados obtidos serão analisados para determinar a qualidade dos reservatórios, as características dos hidrocarbonetos encontrados e o potencial de produção.
A companhia destaca que uma descoberta exploratória não significa que a produção comercial esteja garantida. Antes de uma eventual exploração, são necessárias avaliações técnicas e econômicas para confirmar o tamanho e a viabilidade das reservas.
A Petrobras já realizou outras descobertas na Margem Equatorial. Em 2024, por exemplo, a companhia anunciou a identificação de petróleo em águas ultraprofundas da Bacia Potiguar, no litoral entre Ceará e Rio Grande do Norte. Na ocasião, a empresa ressaltou que os resultados ainda precisariam passar por estudos complementares.
A área é considerada estratégica pela Petrobras para a reposição de reservas de petróleo e para a manutenção da produção brasileira nos próximos anos.
Em 2024, a companhia informou que pretendia investir US$ 7,5 bilhões em exploração até 2028, dos quais US$ 3,1 bilhões seriam destinados à Margem Equatorial. O planejamento previa ainda a perfuração de 16 dos 50 novos poços exploratórios na região.
A exploração da área também ganhou importância diante da expectativa de declínio futuro da produção de alguns campos atualmente em operação. Para a Petrobras, novas descobertas são necessárias para garantir a oferta de petróleo durante o processo de transição energética.
No plano de negócios 2026-2030, a Petrobras prevê US$ 109 bilhões em investimentos, mantendo o petróleo e o gás como parte importante de sua estratégia ao mesmo tempo em que amplia investimentos em negócios de baixo carbono.
A expansão das atividades na Margem Equatorial é acompanhada por discussões sobre os impactos ambientais da exploração de petróleo na região, especialmente na área próxima à foz do Rio Amazonas.
A Petrobras afirma que realiza estudos e pesquisas para ampliar o conhecimento sobre os ecossistemas da região. Em 2024, a companhia informou que pesquisas com equipamentos de monitoramento das correntes marítimas indicaram que as correntes na área estudada seguiam em direção contrária à costa brasileira.
A empresa também destaca que suas atividades dependem do licenciamento ambiental e da autorização dos órgãos competentes antes do avanço para as etapas seguintes.