Internacional BRASIL X ARGENTINA
Entenda a escalada da crise diplomática entre Lula e Javier Milei
Ataques públicos, participação em ato do PL e convocação de embaixadores ampliaram a tensão entre Brasil e Argentina nas últimas semanas
03/08/2026 16h30
Por: Maria Eduarda Lima Fonte: Redação BGN
Foto: Ilustração IA

A relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Argentina, Javier Milei, vive sua fase mais delicada desde o início dos dois governos. A crise diplomática ganhou força nas últimas semanas após uma sequência de declarações ofensivas do líder argentino, reações do governo brasileiro e medidas adotadas pelo Itamaraty.

O episódio mais recente ocorreu no dia 2 de agosto, quando Milei voltou a atacar Lula durante entrevista ao canal argentino La Nación+. O presidente argentino chamou o brasileiro de "ladrão" e "corrupto", afirmou que Lula "não é inocente" e sustentou que ele deixou a prisão por uma "falha processual", em referência às condenações da Operação Lava Jato posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Milei também negou que suas declarações façam parte de uma estratégia geopolítica contra o Brasil e afirmou que "é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar".

As novas declarações ampliaram uma crise que teve início no fim de julho. No dia 26, Milei participou da convenção nacional do Partido Liberal (PL), em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Durante o evento, o presidente argentino voltou a fazer ataques ao governo brasileiro, chamou Lula de "presidiário" e criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, além de manifestar apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A resposta do governo brasileiro veio dois dias depois. Em 28 de julho, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre as declarações de Milei. No mesmo dia, o Itamaraty também chamou de volta a Brasília o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas — uma medida diplomática utilizada quando um país demonstra forte insatisfação com a postura de outro governo.

Nos dias seguintes, houve uma tentativa de reduzir a tensão. Integrantes do governo argentino sinalizaram interesse na normalização das relações e o governo brasileiro chegou a avaliar o retorno de Julio Bitelli à embaixada em Buenos Aires.

Entretanto, a nova entrevista concedida por Milei em 2 de agosto, com novos ataques ao presidente brasileiro, interrompeu esse movimento. Após a repercussão das declarações, o governo Lula decidiu manter o embaixador em Brasília e adiar seu retorno à Argentina.