Economia CONTAS PÚBLICAS
Dívida bruta sobe a 81,9% do PIB e alcança R$ 10,8 trilhões em junho
Banco Central atribui avanço mensal principalmente aos juros e às novas emissões; setor público acumulou déficit nominal de quase 10% do PIB em 12 meses
31/07/2026 17h12 Atualizada há 1 semana
Por: Maria Eduarda Lima Fonte: Redação BGN
Banco Central - Foto: Canva

A dívida bruta do governo geral atingiu 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho, o equivalente a R$ 10,8 trilhões, segundo as Estatísticas Fiscais divulgadas nesta sexta-feira (31) pelo Banco Central. O indicador avançou 0,9 ponto percentual em relação a maio e acumulou crescimento de 3,3 pontos percentuais desde o início do ano.

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) reúne os débitos do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos governos estaduais e municipais. De acordo com o Banco Central, a elevação registrada em junho foi provocada principalmente pela incorporação dos juros nominais, com impacto de 0,8 ponto percentual, e pelas emissões líquidas de dívida, que acrescentaram 0,6 ponto percentual. O crescimento nominal do PIB ajudou a reduzir a relação em 0,5 ponto percentual.

No acumulado de 2026, os juros contribuíram com 4,9 pontos percentuais para o crescimento da dívida bruta, enquanto as emissões líquidas acrescentaram 1,3 ponto percentual. Em sentido contrário, o aumento nominal do PIB reduziu a relação dívida/PIB em 2,7 pontos percentuais, e a valorização cambial teve impacto negativo de 0,2 ponto percentual.

A dívida líquida do setor público, que desconta ativos e créditos mantidos pelo Estado, também aumentou. O indicador chegou a 68,5% do PIB, ou R$ 9 trilhões, com alta de 0,6 ponto percentual no mês e de 3,2 pontos percentuais no ano. O Banco Central destacou os efeitos dos juros, do déficit primário e de ajustes na dívida externa líquida sobre esse resultado.

Déficit primário aumenta

Além do avanço da dívida, o setor público consolidado — formado por União, estados, municípios e empresas estatais — registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho. No mesmo mês de 2025, o saldo negativo havia sido de R$ 47,1 bilhões.

O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida. Em junho, o governo central apresentou déficit de R$ 47,2 bilhões; os governos regionais, de R$ 6,6 bilhões; e as empresas estatais, de R$ 1,5 bilhão.

Nos 12 meses encerrados em junho, o setor público acumulou déficit primário de R$ 157,2 bilhões, equivalente a 1,19% do PIB. O percentual aumentou 0,06 ponto em comparação com o acumulado até maio.

Juros passam de R$ 1,1 trilhão

Os juros nominais apropriados pelo setor público somaram R$ 110,7 bilhões em junho, quase o dobro dos R$ 61 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior. O Banco Central informou que o aumento também refletiu a piora do resultado das operações de swap cambial: houve ganho de R$ 20,9 bilhões em junho de 2025 e perda de R$ 9,3 bilhões no mês passado.

Em 12 meses, a conta de juros chegou a R$ 1,160 trilhão, correspondente a 8,80% do PIB. No período equivalente encerrado em junho de 2025, o valor havia sido de R$ 912,3 bilhões, ou 7,41% do PIB.

Quando são somados o déficit primário e os juros, chega-se ao resultado nominal. Por esse critério, o setor público registrou déficit de R$ 166 bilhões em junho e de R$ 1,318 trilhão nos últimos 12 meses, montante equivalente a 9,99% do PIB.

O crescimento da dívida e das despesas com juros reforça a pressão sobre as contas públicas. Em termos práticos, quanto maior o endividamento e o custo para financiá-lo, maior tende a ser a parcela do orçamento destinada ao serviço da dívida, reduzindo o espaço fiscal para outras despesas e investimentos.