
As articulações para a formação da chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) sofreram uma reviravolta definitiva nesta sexta-feira (31). O Partido Progressistas (PP) anunciou oficialmente que adotará a neutralidade no processo eleitoral de 2026, vetando a indicação da senadora Tereza Cristina (PP-MS) para o posto de candidata a vice-presidente.
A decisão do partido foi comunicada por meio de nota oficial após uma consulta ampla aos diretórios estaduais, que optaram, por maioria, por manter a legenda distante da disputa direta pelo Palácio do Planalto no primeiro turno e por não convocar uma Convenção Nacional para debater o tema.
O desfecho encerra um compasso de intensa movimentação nos bastidores políticos de Brasília. Na véspera (30), a parlamentar havia admitido a interlocutores e sinalizado a possibilidade de integrar a chapa encabeçada pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, após reuniões de articulação que contaram com a influência de aliados como o governador paulista Tarcísio de Freitas.
Na manhã desta sexta-feira (31), o próprio Flávio Bolsonaro havia afirmado publicamente que a senadora — ex-ministra da Agricultura e figura de forte peso político e respeito junto ao setor agropecuário — havia aceitado o convite, ressaltando, contudo, que a consolidação da aliança dependia exclusivamente da liberação partidária.
No entanto, a cúpula do PP prevaleceu. A legenda informou que a resolução foi prontamente comunicada e acatada por Tereza Cristina, que atua como líder do partido no Senado Federal. A posição também alinha-se aos reflexos da federação formada pelo PP com o União Brasil, que tem priorizado independência em diversos cenários regionais e federais.
Com a recusa formal do Progressistas em liberar sua principal estrela para a composição, a campanha do PL volta à estaca zero na definição da vice-presidência.
O relógio corre contra o tempo: o prazo determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o registro e definição final das coligações, chapas e candidaturas encerra-se na próxima quarta-feira, 5 de agosto. Até lá, a coordenação da campanha precisa costurar novas alternativas políticas para preencher a vaga estratégica na chapa presidencial.