A proposta que prevê o fim da jornada de trabalho no modelo 6x1 (seis dias de trabalho por um de descanso) voltou a gerar forte debate entre especialistas econômicos. Em entrevista ao programa Canal Livre, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega fez duras críticas ao avanço da medida e alertou que a alteração pode provocar uma "consequência negativa silenciosa" sobre a economia e a capacidade de crescimento do Brasil.
Para o ex-ministro, a redução da carga horária semanal não pode ser imposta por força de lei ou alteração na Constituição sem estar vinculada a um ganho real de produtividade do país.
Maílson argumentou que a diminuição das horas trabalhadas sem aumento na eficiência da produção afeta a competitividade das empresas. Além disso, o economista destacou um efeito colateral pouco debatido: o impacto direto sobre a renda do trabalhador mais vulnerável.
"O trabalhador agora vai ter tempo para conviver com a família. É muito bonito, é muito charmoso. Mas, na verdade, o 6x1 abrange uma parcela expressiva do trabalhador de baixa renda. O que ele vai fazer com o dia a mais? Ele vai procurar trabalho. Vai fazer um bico, vai trabalhar um pouco mais", afirmou.
Na visão do ex-titular da Fazenda, a pauta tem sido impulsionada por motivações eleitorais, sem uma discussão profunda sobre os custos para o setor de comércio e serviços — que dependem fortemente de escalas presenciais.
Ele defendeu que reduções de jornada históricas em países desenvolvidos foram frutos do avanço tecnológico e de ganhos repartidos entre capital e trabalho, e não de imposições constitucionais repentinas. O tema segue sob forte acompanhamento no Congresso Nacional e no setor produtivo.