Economia EXPORTAÇÕES
CNI critica tarifa adicional dos EUA e alerta para riscos às exportações brasileiras
Entidade afirma que sobretaxa de 25% reduz a competitividade da indústria nacional, ameaça cadeias produtivas e defende intensificação do diálogo entre Brasil e Estados Unidos.
16/07/2026 17h49
Por: Maria Eduarda Lima Fonte: Redação BGN
Foto: Canva

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com a proposta do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em posicionamento divulgado nesta semana, a entidade afirmou que a medida pode reduzir a competitividade da indústria nacional, comprometer exportações e afetar a relação comercial entre os dois países.

Segundo a CNI, a adoção de novas barreiras tarifárias tende a gerar impactos negativos para empresas brasileiras e também para o mercado norte-americano, uma vez que diversas cadeias produtivas dos dois países são integradas.

"O momento exige diálogo e análise técnica. De nossa parte, estamos prontos para contribuir com as negociações", afirmou, em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban. Segundo ele, a relação econômica entre Brasil e Estados Unidos é estratégica e foi construída ao longo de décadas de cooperação comercial.

Dados analisados pela entidade mostram que, em 2025, as exportações brasileiras da indústria de transformação para os Estados Unidos já haviam recuado 4,2% em relação ao ano anterior, totalizando US$ 30,2 bilhões. Entre os 15 principais segmentos exportadores, nove registraram queda nas vendas. Os maiores recuos ocorreram nos setores de produtos de metal (-31,6%), madeira (-20%), celulose e papel (-19,9%) e veículos automotores (-17,6%).

Para a CNI, a sobretaxa poderá agravar esse cenário e ampliar as dificuldades enfrentadas pela indústria brasileira no mercado norte-americano. A entidade também destaca que atualmente 20 dos 27 estados brasileiros já registram redução nas exportações destinadas aos Estados Unidos, o que evidencia a desaceleração do comércio bilateral.

Além dos efeitos sobre a competitividade das empresas brasileiras, a confederação avalia que a medida pode provocar impactos sobre consumidores e indústrias dos próprios Estados Unidos, devido à integração das cadeias de fornecimento entre os dois países.

A proposta faz parte de uma revisão conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O órgão promove audiência pública e recebe contribuições técnicas antes de decidir sobre a adoção definitiva da tarifa. A CNI informou que continuará acompanhando o processo e atuando junto às autoridades brasileiras e norte-americanas para defender soluções negociadas que preservem a parceria econômica entre os dois países.