
Nesta segunda-feira [06/07], o presidente Donald Trump protagonizou um momento inédito diretamente do Salão Oval da Casa Branca: ele tocou, simultaneamente, os sinos de abertura das duas maiores bolsas de valores do mundo, a New York Stock Exchange (NYSE) e a NASDAQ. O gesto simbólico marcou o início oficial das Trump Accounts, um ousado programa governamental de contas de investimento voltado para criar uma nova geração de acionistas nos Estados Unidos.
O plano é a principal aposta da administração para deixar um legado de "capitalismo popular". Segundo o governo americano, a expectativa é injetar cerca de US$ 800 milhões em novos capitais no mercado de ações já nesta primeira semana de funcionamento.
Criadas sob o guarda-chuva do Working Families Tax Cuts Act [a grande lei de cortes de impostos aprovada no ano passado], as Trump Accounts funcionam de maneira muito parecida com uma previdência privada tradicional (IRA), mas com foco absoluto nos menores de 18 anos.
O "Presente" de US$ 1.000: Toda criança cidadã americana nascida entre 1º de janeiro de 2025 e 31 de dezembro de 2028 terá direito a receber um aporte inicial automático de US$ 1.000 do Tesouro Nacional.
Onde o dinheiro é investido? O saldo inicial é alocado automaticamente no SPYM, o fundo de índice (ETF) de menor custo atrelado à S&P 500 (as 500 maiores empresas dos EUA). À medida que o mercado cresce, o dinheiro da criança rende com ele.
Aportes da família e empresas: Pais, parentes ou amigos podem depositar até US$ 5.000 por ano por conta. Além disso, mais de 50 gigantes corporativas (como JPMorgan Chase, Uber e Intel) já se comprometeram a fazer aportes extras para os filhos de seus funcionários.
O resgate: Ao completar 18 anos, o jovem assume o controle total do dinheiro. He pode sacar o valor sem penalidades para usar na faculdade ou na compra do primeiro imóvel. Se decidir não mexer, o dinheiro continua rendendo livre de impostos até a aposentadoria.
Atualmente, cerca de 38% das famílias americanas não possuem nenhum tipo de investimento na bolsa de valores — ficando de fora dos ganhos gerados pelas grandes empresas do país. De acordo com o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, o objetivo central das Trump Accounts é "zerar essa estatística", criando uma economia onde todos os cidadãos, desde o berço, tornem-se acionistas.
O aplicativo oficial do programa (desenvolvido em parceria com a corretora Robinhood e o banco BNY) já registrou o pedido de abertura de mais de 6 milhões de contas nas primeiras horas de funcionamento. Um dado que chama a atenção: 86% desses cadastros vieram de famílias que ganham menos de US$ 200 mil por ano, provando forte adesão das classes média e baixa.
Grandes bilionários e fundos filantrópicos também entraram na jogada. A Fundação Dell (do fundador da Dell Technologies) fechou um aporte histórico de US$ 6,25 bilhões para garantir um bônus de US$ 250 para crianças de até 10 anos moradoras de bairros de baixa renda.
O lançamento das Trump Accounts cria um palanque econômico poderoso para os Republicanos às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato (midterms), que acontecem em novembro. Com a inflação e o custo de vida ainda pesando no bolso do eleitor, Trump tenta associar sua imagem diretamente ao sucesso de Wall Street.
Enquanto a oposição e economistas mais tradicionais alertam para o custo fiscal do projeto (estimado em US$ 17 bilhões até 2028) e apontam que as crianças de famílias mais ricas terminarão com vantagens desproporcionais por poderem injetar mais dinheiro anualmente, os aliados do presidente comemoram o programa como um "Novo Deal Capitalista", estimulando a meritocracia e a educação financeira desde a infância.